Graça Morais – Mapas da Terra e do Tempo

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Graça Morais – Mapas da Terra e do Tempo

Rua do Museu
Junho 4 @ 9:00 am - Setembro 25 @ 7:00 pm

A relação com a mais primitiva forma de arte, desconhecida ainda da menina que então
rabiscava sobre as fragas do Vieiro, não só não é novidade no modo de desenhar e
de pintar de Graça Morais, como tem sido, ao longo de mais cinquenta anos de vida
artística, fonte geradora das mais diversas pesquisas formais e pictóricas.
Com mais de 14 mil anos, a enigmática figura, conhecida pelo “homem-bisonte”,
encontrada na caverna de Les Trois-Frères, em França, é uma das muitas referências
da arte do *Paleolítico que Graça Morais transfere para sua pintura. Como tantas das
suas geniais *metamorfoses, essa invulgar representação, meio homem, meio animal,
tornar-se-ia personagem de um dos monumentais cenários que realiza, em 1993, para a
peça Os Biombos, de *Jean Genet, levada à cena pelo Teatro Experimental de Cascais.
Não é, por isso, raro que esta *iconografia, especialmente as figurações de animais ou
de figuras femininas como a *Vénus de Willendorf, habitem, como protagonistas, os
seus desenhos e pinturas. Os exemplos são inúmeros, sobretudo nos trabalhos que
realiza nas décadas de 1980 e 1990, particularmente das séries Mapas e o Espírito da
Oliveira ou os Vieiros, que apresentara, em 1983, na XVII Bienal Internacional de Arte de
São Paulo, no Brasil, e, posteriormente, nos Museus de Arte Moderna de S. Paulo e do
Rio de Janeiro.
Os colossais *telões que concebe, em 1995, para a cenografia da peça Ricardo II, de
*William Shakespeare, para o Teatro Nacional D. Maria II (que pela escala foi impossível
apresentar nesta exposição), são também sucedâneos das múltiplas leituras tomadas
à arte ancestral. Não apenas pela forma como cita e se apropria de cores e texturas,
mas sobretudo pelo modo como transfigura os animais que ressaltam das paredes das
famosas cavernas de *Chauvet ou de *Altamira.No entanto, esta sintonia com arte do
*Paleolítico sobressai sobretudo no seu virtuoso desenho, visível na sobreposição de
linhas e formas, na interrupção abrupta do traço ou a aglomeração dos elementos,
onde a relação com as gravuras do Côa, não só salta à vista, como é transversal ao
conjunto de trabalhos, alguns deles inéditos, criteriosamente reunidos para esta
exposição.

Curadoria: Jorge da Costa

*Paleolítico: primeiro período da História da Humanidade
*metamorfose: processo de transformação para que alguns animais passem à fase adulta
*Jean Genet: escritor e dramaturgo francês (1910-1986)
*iconografia: linguagem que usa imagens para apresentar um tema
*Vénus de Willendorf: estátua de calcário de uma mulher com características físicas exageradas para representar a
fertilidade; tem 11 cm*telões: tela grande que serve de cenário
*William Shakespeare: escritor britânico (1564-1616) considerado o poeta nacional; conhecido, por exemplo, pelas peças
Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta
*Caverna de Chauvet: localizada no sul de França, tem as paredes decoradas com cerca de 435 pinturas de animais
*Caverna de Altamira: situada na Cantábria, em Espanha, tem pinturas de diversas cores que representam animais, figuras
humanas e desenhos abstratos

Detalhes

Início: Junho 4 @ 9:00 am
Fim: Setembro 25 @ 7:00 pm
Evento CategoriasExposição

Local

Local: Museu do Côa
Morada: Rua do Museu
Vila Nova de Foz Côa, Portugal

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