Novas descobertas arqueológicas podem mudar a narrativa da Arte do Côa

Novas descobertas arqueológicas podem mudar a narrativa da Arte do Côa

As escavações junto à Rocha 3 da Penascosa têm revelado novos vestígios da presença humana no Vale do Côa.

Os trabalhos realizados em 2025 — e que tiveram continuidade em 2026 — permitiram identificar utensílios de pedra lascada e, mais recentemente, dezenas de fragmentos de pigmentos minerais associados a níveis de ocupação humana que, segundo Thierry Aubry, poderão ultrapassar os 27 mil anos.

Numa primeira fase, as escavações revelaram “utensílios de pedra lascada e outros elementos líticos utilizados em fogueiras, que atestam a presença de grupos humanos durante o Paleolítico superior, perto da famosa rocha 3”, conforme divulgado pela Côa Parque — Fundação.

Entre os materiais mais recentemente identificados encontram-se pigmentos com tonalidades amarelas, vermelhas, pretas e castanhas. A sua finalidade permanece em estudo, podendo estar relacionada com diferentes atividades, incluindo a pintura, o tratamento de peles ou a produção de colas.

Em declarações à agência Lusa, Thierry Aubry, coordenador científico da Fundação, destacou as questões colocadas pela descoberta: “As duas técnicas, pintura e gravura, estão muitas vezes associadas, e talvez no Vale do Côa os homens do Paleolítico Superior utilizassem a pintura há 27 mil anos”.

O investigador ressalvou, contudo, que a presença destes materiais não permite determinar os suportes em que terão sido utilizados: “Eles tinham o material que permitia pintar”, mas “ainda não sabemos qual foi o suporte”.

Estão previstas novas escavações na Penascosa na próxima primavera, para dar continuidade ao estudo dos materiais e dos contextos arqueológicos identificados.

A propósito destas descobertas, João Paulo Sousa, presidente do Conselho Diretivo da Côa Parque — Fundação, defendeu também o reforço dos meios dedicados à investigação. Em declarações à Lusa, alertou: “O mapa de pessoal da Fundação tem apenas três pessoas ligadas à investigação e é preciso um reforço urgente de investigadores”.

A investigação foi também tema de uma reportagem da revista New Scientist, publicada em 19 de outubro de 2026, que acompanhou os trabalhos neste sítio arqueológico.