Coreia do Sul usa o exemplo do Vale do Côa para a preservação do Património Cultural

Coreia do Sul usa o exemplo do Vale do Côa para a preservação do Património Cultural

A ligação entre a Arte Rupestre do Vale do Côa e os Petróglifos de Bangudae (Coreia do Sul) desenvolve-se desde 2015, tendo por base o grande interesse que neste país asiático o chamado caso do Côa desperta. Esse interesse tem como ponto de partida o facto do sítio de arte rupestre de Bangudae, o mais importante na Península Coreana, ficar submerso periodicamente pelas águas duma barragem construída antes da descoberta dos motivos gravados. Para além da subida sazonal desta albufeira causar graves problemas de conservação para a arte rupestre, tal submersão não permite, já que está em causa a integridade dos motivos rupestres, aspirar à inclusão do Bangudae na Lista do Património Mundial UNESCO, como pretendem as autoridades sul-coreanas.

Assim, buscando inspiração no caso do Côa, em que se interromperam as obras de construção de uma grande barragem para que se preservasse a arte rupestre ali descoberta, tendo o processo culminado em 1998, com a classificação da Arte do Côa como Património Mundial UNESCO, o Museu de Ulsan, em parceria com o Museu do Côa, apresenta este ano a exposição especial “The Côa Story, leading to the Bangudae” (“A História do Côa até Bangudae”) que percorre, de forma pormenorizada, todos os momentos e intervenientes fundamentais que marcaram aquela luta histórica. Foi também organizado um Simpósio Internacional, subordinado ao mesmo tema, que discutiu soluções para a preservação dos Petróglifos do Bangudae, que contou com a participação de diversos especialistas internacionais, nomeadamente da Fundação Côa Parque. E foi ainda exibido o último filme de Jean Luc-Bouvret, “La bataille du Côa, une leçon portugaise” que estreou no Museu do Côa, no passado mês de dezembro. Todo o evento teve ampla repercussão na comunicação social regional e nacional.

Para além de visitas técnicas ao Bangudae, ao Museu de sítio aí localizado e ao Museu do Ulsan, a delegação portuguesa foi ainda recebida oficialmente por diversos dignatários políticos sul-coreanos, incluindo o Presidente da Área Metropolitana de Ulsan. Todos estes responsáveis políticos expressaram o maior interesse e apreço pelo chamado “milagre do Côa” que permitiu a salvaguarda da arte pré-histórica, manifestando ainda o desejo de aprofundar os laços de cooperação entre os dois países através da arte rupestre. Esta cidade sul-coreana de Ulsan, com uma população de 1,2 milhões de habitantes, é o maior centro industrial do país aí se concentrando um importante pólo de construção automóvel e naval, para além duma das maiores refinarias mundiais. A água, em Ulsan, é um recurso precioso, destinado ao consumo humano, mas também indispensável para toda esta actividade industrial.

Apesar da complexidade técnica e custos associados, foi nesta ocasião anunciado um acordo entre o governo central e as autoridades autárquicas de Ulsan que permitirá o abaixamento faseado do nível da albufeira para uma cota que colocará permanente fora do seu alcance o painel gravado de Bangudae, criando assim condições óptimas para a sua conservação e preparação do dossier de candidatura a Património Mundial. Para os responsáveis sul-coreanos não restam dúvidas: o “Caso do Côa” foi determinante para esta histórica tomada de decisão.

A delegação portuguesa na Coreia do Sul foi constituída por Bruno Navarro, Sofia Figueiredo e António Batarda, em representação da Fundação Côa Parque; António Martinho Baptista e José Ribeiro, keynote speakers no Simpósio Internacional; Maria de Lurdes Costa e Jorge Fortuna, da empresa Sala4; e Joana Baptista.

(Fotos cedidas pela organização do evento)

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