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Sombra

Susana Oliveira

A sombra de um objecto ou superfície é a área produzida pela interrupção dos raios luminosos por um corpo opaco. A figura aparente definida pela projecção de sombra é simultaneamente o lugar de uma cessação de luz e o da configuração de uma imagem - a partir desta contradição, a sombra está na origem da narrativa sobre a origem da pintura e como presença na alegoria da origem da metafísica.

Palavras chave: projecção, limite, pintura; representação visual.

Da percepção das sombras em contraste com as zonas iluminadas no nosso campo visual depende sobretudo a interpretação da tridimensionalidade. O volume dos objectos, a sua relação com o espaço envolvente, a interpretação das texturas e gradientes, a localização e a distância das fontes de luz, são dados obtidos em virtude da existência de sombras próprias e projectadas, por muito que não tenhamos consciência disso a maior parte das vezes. As sombras fornecem informação visual relevante na percepção do mundo que nos rodeia, e o seu comportamento e aspectos visíveis surgem acentuados sob a forma de representações visuais. Por outro lado, a presença simbólica das sombras na literatura e nos dispositivos da imagem, como a fotografia e o cinema, participa das implicações de uma epistemologia da luz e da sombra, com consequências no plano dos nossos saberes e representações.
A origem da representação pictórica relatada na História Natural de Plínio, o Velho, e a alegoria platónica da origem da representação cognitiva (Livro VII de A República) são historias que se cruzam no lugar da projecção de uma forma negativa por acção da luz - a sombra - da percepção de uma ausência.
A história da representação visual das sombras descreve a dificuldade em encontrar um dispositivo rigoroso de desenho adequado ao comportamento da luz sobre os corpos. O conhecimento científico dispunha há muito de instrumentos de medida da luz e a perspectiva artificial forneceu um sistema geométrico e matemático suficientemente consistente para garantir a representação coerente da tridimensionalidade numa superfície. Ligadas entre si e através do Desenho, a perspectiva, como método rigoroso de transpor a profundidade dos corpos e figuras no espaço para um plano bidimensional, e o contorno, são convocados na representação visual das sombras.

Na terminologia comum da geometria, da pintura e do desenho, considera-se sombra própria ou inerente a parte não iluminada de um objecto, sombreado a gradação e modelação lumínica na superfície em sombra de um objecto e a sombra projectada, isto é, a sombra produzida sobre uma superfície por um objecto que se situa diante de uma fonte de luz. Esta diferenciação segundo tipos e funções pictóricas das sombras denuncia, desde logo, que, enquanto que a sombra projectada se insinua no campo visual como uma figura plana e essencialmente visual, a percepção e representação do volume de um objecto dependem da observação e inscrição da sombra própria e do sombreado, associando a esta um aspecto táctil.
Este apelo ao tacto afirma a natureza indicial das sombras como vestígios ou sintomas da presença e passagem das pessoas e objectos, à qual a representação visual confere traço permanente.


Bibliografia

CASATI, Roberto. La Découverte de l’ombre. Paris: Albin Michel Idées, 2002.
KEMP, Martin. The Science of Art - Optical Themes in Western Art from Brunelleschi to Seurat. New Haven: Yale University Press, 1990.
STOICHITA, Victor I. Brève Histoire de l’Ombre. Genève: Droz, 2000.
BAXANDALL, Michael. Las sombras y el Siglo de las Luces, trad. Amaya Chamorro. Madrid: Visor, 1997

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