Arte Além CôaImprimir

VALE DO OCREZA


Localizada na freguesia de Envendos, concelho de Mação, a chamada rocha nº 21 do rio Ocreza localiza-se próximo da sua confluência com o rio Tejo.

A única gravura paleolítica identificada até ao momento, descoberta no ano 2000, encontra-se implantada numa pequena superfície aplanada, muito boleada, disposta sub-horizontalmente, que integra um conjunto de blocos de xisto localizados na margem direita do rio.

Executada por martelagem por percussão indirecta, a figura representa um equídeo, definido através de uma linha cérvico-dorsal muito acentuada e uma linha ventral igualmente muito convexa. A crina e a cauda encontram-se bem representadas, ao contrário da cabeça que foi apenas esboçada. Esta última particularidade parece, contudo, ser intencional, já que se admite que a própria configuração da rocha sugere a morfologia da cabeça do animal.

Quanto à cronologia atribuída a esta gravura, as suas características estilísticas, através do paralelo estabelecido com a iconografia da arte do vale do Côa, associam-na ao período Gravetto-Solutrense desta última, com a qual aparenta grandes afinidades.


Para saber mais:
BAPTISTA, António Martinho (2009) – O Paradigma Perdido. O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal, Porto, Edições Afrontamento, 254 p.

© CÔA Todos os direitos reservados© All rights reserved