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Trancoso medieval

No morro granítico do castelo de Trancoso observam-se vestígios do assentamento roqueiro alti-medieval da comunidade referida no testamento da Condessa D. Flâmula (960). A torre de menagem aproveita uma estrutura defensiva anterior, que é de construção moçárabe. Três necrópoles de sepulturas escavadas na rocha, contemporâneas daquela implantação alti-medieval, situam-se no sopé do morro.
A integração de Trancoso no espaço da monarquia portuguesa deve-se a D. Afonso Henriques que lhe concedeu carta de foral entre 1157 e 1169. Aqui se deslocaram D. Sancho I e D. Afonso II, tendo D. Afonso III concedido carta de feira em 1273. Mas é com D. Dinis, e depois D. Pedro e D. Fernando, que Trancoso assumiu um importante papel de centro regional das iniciativas régias reorganizadoras do território.
D. Dinis deslocou-se a esta vila por 9 vezes entre 1281 e 1320. Em 1282 recebeu em Trancoso D. Isabel de Aragão, com quem havia já casado por procuração e festejou, como refere o cronista Rui de Pina, “suas vodas com muy grandes festas [...] pera ho que no campo de Tranquozo se fizeram grandes, e custozas cazas”. A vila terá conhecido então forte intervenção régia, quer na construção das suas fortificações góticas, quer provavelmente na promoção de uma expansão urbana.

As obras nas fortificações prolongaram-se ao longo dos séculos XIV e XV e, pela mesma altura, deveriam também estar em construção as duas portas monumentais do Prado e de El’ Rei, marcando as duas principais ligações regionais, a Lamego e à Guarda. A vila que se estrutura em Trancoso na Baixa Idade Média, veio assim a tornar-se uma das maiores da região, delimitando um extenso termo. A feira anual, que se realizava pelo menos desde 1273, assumiu ainda grande influência económica em toda a região da Beira nos séculos XIV e XV, para o que terá contribuído a existência de uma importante Comuna Judaica.

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