Relatório de Gestão 2025

RELATÓRIO DE GESTÃO
ANO 2025

Côa Parque- Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa, F.P.

Mensagem do Exmo. Senhor Presidente da Côa Parque- Fundação para a Salvaguarda
e Valorização do Vale do Côa,

 

O saldo das contas de gerência da Côa Parque – Fundação traduz a execução financeira do
exercício, refletindo uma gestão assente nos princípios da responsabilidade, da transparência e
do rigor na utilização dos recursos disponíveis. Embora tenha sido assegurado o equilíbrio entre
a receita arrecadada e a despesa realizada, a reduzida autonomia financeira da Fundação
continuou a constituir um fator condicionante da sua capacidade de investimento e de
concretização de alguns projetos estratégicos.
A dependência de financiamento externo e a limitação dos recursos próprios condicionaram a
execução integral de determinadas iniciativas previstas no plano de atividades. Em consequência,
alguns projetos não puderam ser concretizados dentro do período em análise, não sendo
igualmente possível proceder à transição dos respetivos saldos para o exercício seguinte, por
inexistirem as condições financeiras e orçamentais necessárias para esse efeito.
Não obstante estes constrangimentos, a Côa Parque – Fundação manteve uma gestão financeira
equilibrada e prudente, assegurando o cumprimento das suas obrigações, a continuidade das suas
atividades e a prossecução da sua missão de valorização, preservação e promoção do património
cultural e natural associado ao Vale do Côa. A afetação dos recursos disponíveis foi efetuada de
forma criteriosa, privilegiando as áreas de maior relevância e impacto institucional, garantindo
simultaneamente a sustentabilidade financeira da Fundação.
Assim, o saldo de gerência deve ser analisado à luz das limitações estruturais de financiamento
que caracterizam a atividade da Fundação, sem que tal diminua o mérito da gestão desenvolvida
ao longo do exercício. Os resultados obtidos demonstram uma administração responsável,
orientada para a manutenção do equilíbrio financeiro e para a criação de condições que
permitam, no futuro, reforçar a autonomia financeira da Côa Parque – Fundação e concretizar os
projetos que, por insuficiência de recursos, tiveram de ser adiados.

O Presidente do Conselho Diretivo da Côa Parque- Fundação para a Salvaguarda e Valorização
do Vale do Côa,
Dr. João Paulo Sousa

1. Introdução
O presente Relatório de Gestão e Contas espelha os níveis de execução orçamental alcançados no
exercício de 2025, bem como a situação económica, financeira e patrimonial da Côa Parque-
Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa, F. P., adiante designada por Fundação
ou Fundação Côa Parque, à data de 31 de dezembro de 2025, apresentando as respetivas
demonstrações financeiras.
A estrutura do documento permite uma avaliação da execução orçamental, bem como uma
análise da situação financeira e patrimonial da Fundação, possibilitando a apreciação da atividade
desenvolvida, dos recursos utilizados e dos resultados alcançados no decurso do exercício.
O Côa Parque segue os princípios e demais critérios definidos no Plano Oficial de Contabilidade
Pública, instituído pelo Decreto-Lei n.º 232/97, de 3 de setembro, Decreto-Lei n.º 477/80, de 15
de outubro e Portaria n.º 378/94, de 16 de junho. O arquivo dos documentos de suporte, da
despesa e da receita estão organizados, por número tipo de lançamento, com numeração
sequencial de registo no módulo contabilístico correspondente.
Em 2019 foi implementado o sistema informático GeRFiP, da Entidade de Serviços Partilhados da
Administração Pública, I. P., ESPAP, transversal a diversos organismos da Administração Pública,
para a gestão integrada da informação contabilística, orçamental, financeira e patrimonial da
Fundação Côa Parque, nomeadamente no desenvolvimento de mapas de prestação de
informação ajustados às necessidades internas e externas da Fundação, assegurando o
cumprimento das obrigações de reporte aplicáveis.
A apresentação das demonstrações financeiras do exercício de 2025 é efetuada de acordo com o
referencial contabilístico POCP- Plano Oficial de Contabilidade Pública, mantendo-se, assim, o
critério de preparação e apresentação seguido pela Fundação nos exercícios anteriores, sem
prejuízo do enquadramento legal atualmente existente em matéria de normalização contabilística
pública, designadamente o Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações
Públicas (SNC-AP).

2. Estrutura orgânica da Fundação

IMAGEM 1- ESTRUTURA ORGÂNICA DA FUNDAÇÃO

3. Recursos Humanos da Fundação Côa Parque
A prossecução da missão da Côa Parque- Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do
Côa, F. P. depende, em larga medida, da qualidade, dedicação e sentido de responsabilidade dos
seus trabalhadores. Numa instituição cuja atividade assenta na preservação, valorização e
divulgação de um património único, o conhecimento técnico, a experiência acumulada e o
compromisso das equipas assumem particular relevância. Por esse motivo, a Fundação tem
procurado promover condições de trabalho adequadas, valorizando um ambiente seguro,
colaborativo e orientado para o bem-estar, a estabilidade organizacional e o desenvolvimento
profissional.
No exercício das atribuições que lhe estão cometidas, a Fundação desenvolve a sua atividade em
áreas como a salvaguarda e conservação da arte rupestre do Vale do Côa, a investigação científica,
a gestão do Museu do Côa e do Parque Arqueológico do Vale do Côa, a realização de visitas
públicas, a dinamização cultural e educativa, a promoção turística do território e a cooperação
com entidades públicas, científicas e culturais. Para efeitos de análise funcional, a Tabela 1
apresenta a distribuição de 38 trabalhadores pelas principais atribuições/atividades e áreas
funcionais da entidade, permitindo evidenciar a afetação dos recursos humanos ao
funcionamento regular da Fundação e ao cumprimento da sua missão pública.

TABELA 1- NÚMERO DE TRABALHADORES DE ACORDO COM AS SUAS ATRIBUIÇÕES / ATIVIDADES

A tabela apresenta a distribuição dos trabalhadores da Fundação Côa Parque por
atribuições/atividades e por cargo, carreira ou categoria, considerando os trabalhadores efetivos
que, a 31 de dezembro de 2025, se encontravam em exercício de funções na Entidade.
Da análise do mapa resulta que se encontram identificados 38 trabalhadores distribuídos pelas
principais áreas de atividade da organização. A maior concentração de recursos humanos verifica-
se na área de manutenção de espaços e equipamentos, com 13 trabalhadores, representando
cerca de 34,2% do total de trabalhadores em funções. Segue-se a área de visitas guiadas,
atendimento ao público e atividades pedagógicas, com 11 trabalhadores, correspondente a
aproximadamente 28,9% do total.
A área de gestão, administração, recursos humanos e contabilidade integra 8 trabalhadores,
assumindo também uma expressão relevante na estrutura funcional da Fundação, com cerca de
21,1% dos trabalhadores em funções. As áreas de natureza mais técnica e científica,
designadamente o estudo, divulgação, gestão e prospeção do património arqueológico,
apresentam 3 trabalhadores, enquanto a direção, planeamento, controlo, avaliação e
coordenação integra 2 trabalhadores. Por sua vez, o serviço educativo, atividades pedagógicas e
programação cultural surge identificado com 1 trabalhador.
Em termos de carreira/categoria, observa-se uma estrutura relativamente equilibrada entre
assistentes técnicos e assistentes operacionais, com 12 trabalhadores em cada grupo,
representando, cada um, cerca de 31,6% do total de trabalhadores em funções. Os técnicos

superiores totalizam 11 trabalhadores, correspondendo a cerca de 28,9% do total. As restantes
categorias (Presidente do Conselho Diretivo, Responsável Técnico-científico e Técnico de Sistemas
e Tecnologias da Informação) contam com 1 trabalhador cada.
O mapa relativo ao número de trabalhadores distribuídos de acordo com as
atribuições/atividades da Fundação Côa Parque reflete os 38 trabalhadores efetivos que, em 31
de dezembro de 2025, se encontravam em exercício de funções na Entidade. Por sua vez, o mapa
de pessoal da Fundação contempla 39 postos de trabalho ocupados no respetivo mapa de pessoal.
Esta diferença de um trabalhador é justificada pelo facto de um trabalhador se encontrar em
cedência de interesse público. Assim, embora integre o quadro de pessoal da Fundação Côa
Parque e esteja incluído no universo dos 39 trabalhadores efetivos, não se encontrava, à data, a
desempenhar funções na Entidade.

No final do ano de 2025, apresenta-se a seguinte contagem dos trabalhadores, com base no
reporte de recursos humanos, por carreira/categoria e segundo o género:

TABELA 2- NÚMERO DE TRABALHADORES QUE OCUPAM OS LUGARES NO MAPA DE PESSOAL POR CARREIRA/
CATEGORIA SEGUNDO O GÉNERO

No que respeita à caracterização dos trabalhadores por género, verifica-se uma predominância
do género feminino. Em 31 de dezembro de 2025, a Fundação registava um total de 39
trabalhadores, dos quais 22 eram mulheres, correspondendo a 56,41% do total, e 17 eram
homens, representando 43,59%. A média de idades dos trabalhadores situava-se, nessa data, nos
48,05 anos.
Quanto à relação jurídica de emprego, verifica-se o predomínio do contrato de trabalho em
funções públicas por tempo indeterminado, abrangendo 33 dos 39 trabalhadores da Fundação Côa Parque, o que corresponde a cerca de 85% do total. Por sua vez, os trabalhadores comcontrato individual de trabalho por tempo indeterminado totalizam 6 trabalhadores,
representando cerca de 15% do universo considerado.

Evolução dos recursos humanos entre 2023 e 2025
A análise da evolução dos recursos humanos da Fundação Côa Parque, no período compreendido
entre 2023 e 2025, evidencia uma primeira fase de redução do número de trabalhadores, seguida,
em 2025, de um reforço significativo do número de efetivos do mapa de pessoal.

TABELA 3- EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE TRABALHADORES QUE OCUPAM OS LUGARES NO MAPA DE PESSOAL

Em 2025, verificou-se uma alteração expressiva face à tendência observada nos anos anteriores.
A Fundação iniciou o ano com 24 trabalhadores efetivos e encerrou o exercício, em 31 de
dezembro de 2025, com 39 trabalhadores registados no Sistema de Informação da Organização
do Estado (SIOE), incluindo o trabalhador em mobilidade estatutária e excluindo o trabalhador
em cedência de interesse público.
Este crescimento resultou da entrada de um dirigente superior de 1.º grau para o cargo de
Presidente do Conselho Diretivo, da entrada de uma técnica superior por mobilidade entre órgãos
e serviços, da integração de 14 trabalhadores em contrato de trabalho em funções públicas por
tempo indeterminado, na sequência de concurso público externo (oito assistentes operacionais
para a área da manutenção e conservação e seis assistentes técnicos para o serviço de visitas e
atendimento ao público), bem como da entrada de duas trabalhadoras através do recrutamento
centralizado da Administração Pública, nas áreas da financeira e jurídico.
No mesmo ano, registaram-se três saídas: um técnico superior, por consolidação da mobilidade
no serviço de destino; uma assistente técnica, por rescisão; e um dirigente superior de 1.º grau
para o cargo de Presidente do Conselho Diretivo, por exoneração.
Assim, esta evolução é particularmente relevante porque traduz o reforço da capacidade
operacional da Fundação, sobretudo em áreas diretamente ligadas ao funcionamento regular da
instituição, à manutenção e conservação, às visitas, ao atendimento ao público, à contabilidade e
ao apoio jurídico.

4. Execução Global do Orçamento

 

4.1. Análise global do orçamento inicial, final e executado do ano de
2025
A análise, ainda que de forma sintética e global, da contabilidade orçamental permite-nos
acompanhar todo o processo de realização de despesas e arrecadação de receitas. Este estudo,
baseado nos mapas de execução orçamental que fazem parte integrante dos documentos de
prestação de contas da Fundação Côa Parque, visa numa primeira abordagem comparar o valor
do orçamento inicial e corrigido final, resultado das modificações orçamentais, com os valores
da execução orçamental a fim de evidenciar a taxa de execução por grandes rubricas.
Os resultados obtidos permitem-nos testar a fiabilidade dos orçamentos e a capacidade
financeira da sua execução face ao volume de receitas realmente arrecadado pela Fundação Côa
Parque, bem como da atividade de planeamento.
A execução orçamental deve ser analisada tendo em consideração a natureza específica da
Fundação, cuja atividade assenta na gestão do Museu do Côa e do Parque Arqueológico do Vale
do Côa, na salvaguarda e valorização da arte rupestre e do património arqueológico, paisagístico
e cultural associado ao território, bem como na dependência de diferentes fontes de
financiamento, incluindo transferências públicas, receitas próprias e eventuais financiamentos
associados a projetos.
Seguidamente apresenta-se o Mapa Resumo de Controlo Orçamental da Receita (previsões
iniciais, previsões corrigidas, receita cobrada líquida e a sua execução) e o Mapa Resumo
Orçamental da Despesa (dotações iniciais, dotações corrigidas, despesa paga e a sua execução)
do ano de 2025.

TABELA 4- ANÁLISE GLOBAL DO EXECUTADO A 31/12/2025

A execução orçamental de 2025 evidencia uma receita cobrada líquida superior à despesa paga.
A diferença entre a receita cobrada líquida e a despesa paga ascendeu a 540.109,54 €.

A taxa de execução da receita situou-se em 81,69%, enquanto o grau de execução da despesa
foi de 65,92%. Estes indicadores demonstram que a Fundação conseguiu concretizar uma parte
substancial da receita prevista, sobretudo corrente, mantendo uma execução da despesa
inferior às dotações corrigidas líquidas de cativos, com maior incidência nas despesas correntes
e menor execução nas despesas de capital.

4.1.1. Mapa Resumo de Controlo Orçamental da Receita- Ano 2025
A taxa de execução orçamental da receita é calculada com base nas receitas cobradas líquidas,
ou seja, as receitas cobradas brutas corrigidas dos reembolsos e restituições.

TABELA 5- MAPA RESUMO DE CONTROLO ORÇAMENTAL DA RECEITA NO ANO DE 2025 POR FONTE DE
FINANCIAMENTO

O quadro apresenta a execução da receita da Fundação Côa Parque, no exercício de 2025,
organizada por fonte de financiamento e por classificação económica por capítulo. Esta leitura
permite identificar não apenas a origem do financiamento, mas também a natureza económica
da receita prevista, emitida e efetivamente cobrada.

Em termos globais, a receita prevista para 2025 ascendeu a 2.516.173,00 €, valor que se
manteve inalterado entre as previsões iniciais e as previsões corrigidas. A receita emitida
totalizou 2.208.883,60 €, enquanto a receita cobrada líquida se fixou em 2.055.344,08 €,
correspondendo a uma taxa de execução global de 81,69%.
A análise por fonte de financiamento evidencia o peso determinante da FF513- Receita própria,
que apresentou uma receita cobrada líquida de 2.002.868,19 €, representando praticamente a
totalidade da receita efetivamente arrecadada no exercício. Esta fonte registou uma taxa de
execução de 99,12%, revelando um nível de concretização muito próximo do previsto.
No âmbito da FF513, destacam-se as transferências e subsídios correntes, com 1.089.612,15 €
de receita cobrada líquida, correspondendo a uma execução de 101,83% face ao previsto. A
rubrica de venda de bens e serviços correntes registou uma cobrança de 463.114,74 €, com uma
taxa de execução de 61,70%, enquanto as outras receitas correntes atingiram 262.566,30 €,
superando a previsão inicial e corrigida, com uma taxa de execução de 131,28%. Regista-se ainda
receita cobrada em transferências de capital, no montante de 187.575,00 €, embora sem
previsão inicial ou corrigida associada a este capítulo.
A FF482 apresentou uma previsão corrigida de 84.500,00 €, tendo sido emitida e cobrada receita
no valor de 45.542,46 €, o que corresponde a uma taxa de execução de 53,90%. Esta receita
encontra-se integralmente associada ao agrupamento 06- Transferências e subsídios correntes.
Por sua vez, a FF483 apresentou uma previsão corrigida de 411.050,00 €, integrada no
agrupamento 10- Transferências de capital. Apesar de ter sido emitida receita no valor de
160.472,95 €, a receita cobrada líquida foi de apenas 6.933,43 €, traduzindo uma taxa de
execução de 1,69%.
Assim, a execução da receita em 2025 foi fortemente suportada pela receita própria, com um
grau de execução muito elevado. As fontes de financiamento associadas ao FEDER e ao PRR
tiveram menor expressão na receita cobrada líquida, sendo particularmente reduzida a
execução efetiva da receita associada ao PRR no exercício.

TABELA 6- SÍNTESE CONTROLO ORÇAMENTAL DA RECEITA NO ANO DE 2025

O quadro supra apresenta a receita da Fundação Côa Parque, por classificação económica
principal, permitindo uma leitura global da estrutura da receita executada no exercício de 2025,
independentemente da respetiva fonte de financiamento.
Em termos globais, a receita prevista para 2025 ascendeu a 2.516.173,00 €, valor que se
manteve inalterado entre as previsões iniciais e as previsões corrigidas. A receita emitida
totalizou 2.208.883,60 €, enquanto a receita cobrada líquida se fixou em 2.055.344,08 €, o que
corresponde a uma taxa de execução global de 81,69%.
O agrupamento com maior expressão foi o 06- Transferências e subsídios correntes, com uma
previsão corrigida de 1.154.507,00 € e uma receita cobrada líquida de 1.135.154,61 €,
correspondendo a uma taxa de execução de 98,32%. Este agrupamento representou a principal
componente da receita arrecadada pela Fundação em 2025, evidenciando a relevância das
transferências correntes para o equilíbrio do funcionamento da instituição.
O agrupamento 07- Venda de bens e serviços correntes registou uma previsão corrigida de
750.616,00 € e uma receita cobrada líquida de 463.114,74 €, traduzindo uma taxa de execução
de 61,70%. Esta rubrica reflete a receita associada à atividade própria da Fundação,
designadamente a venda de bens e a prestação de serviços no âmbito do funcionamento do
Museu do Côa, das visitas e de outras atividades desenvolvidas.
O agrupamento 08- Outras receitas correntes apresentou uma execução superior ao previsto.
Para uma previsão corrigida de 200.000,00 €, a receita cobrada líquida ascendeu a 262.566,30
€, correspondendo a uma taxa de execução de 131,28%.
Por sua vez, o agrupamento 10- Transferências de capital apresentou uma previsão corrigida de
411.050,00 €, uma receita emitida de 348.047,95 € e uma receita cobrada líquida de 194.508,43
€, correspondendo a uma taxa de execução de 47,32%.
Em síntese, a execução da receita em 2025 assentou sobretudo nas transferências correntes
provenientes dos Fundadores, complementadas pela venda de bens e serviços correntes e por
outras receitas correntes. As transferências de capital apresentaram uma execução mais
moderada, refletindo uma menor cobrança efetiva face aos montantes previstos e emitidos no
exercício.

4.1.2. Mapa Resumo de Controlo Orçamental da Despesa- Ano 2025
Importa efetuar uma análise da despesa na ótica económica com referência às suas
componentes mais significativas, efetuando uma comparação entre os valores orçamentados e
os executados, permitindo examinar o nível de realização das despesas.

TABELA 7- MAPA RESUMO DE CONTROLO ORÇAMENTAL DA DESPESA NO ANO DE 2025 POR FONTE DE
FINANCIAMENTO

O quadro apresenta a execução da despesa no exercício de 2025, organizada por fonte de
financiamento e por agrupamento económico principal.
Em termos globais, as dotações iniciais da despesa ascenderam a 2.516.173,00 €, valor que se
manteve nas dotações corrigidas. Foram registados cativos no montante de 217.430,00 €,

encontrando-se estes integralmente associados à fonte de financiamento FF513. A despesa paga
totalizou 1.515.234,54 €, correspondendo a um grau de execução orçamental global de 65,92%.
A fonte de financiamento FF513 concentrou a maior parte da despesa paga no exercício. Esta
fonte apresentou dotações iniciais e corrigidas de 2.020.623,00 €, cativos de 217.430,00 € e
despesa paga de 1.494.396,29 €, o que corresponde a um grau de execução orçamental de
82,88%.
No âmbito da FF513, a maior componente da despesa paga correspondeu ao agrupamento 01-
Despesas com pessoal, com 806.935,74 €. Seguiu-se o agrupamento 02- Aquisição de bens e
serviços, com 431.985,34 €, e o agrupamento 07- Bens de capital, com 237.237,10 €. Os
agrupamentos 04- Transferências correntes e 06- Outras despesas correntes apresentaram
valores mais reduzidos, com 1.565,38 € e 16.672,73 €, respetivamente. A rubrica Reserva, no
valor de 52.250,00 €, manteve-se integralmente cativa e não registou despesa paga.
A fonte de financiamento FF482 apresentou dotações iniciais e corrigidas de 84.500,00 €,
exclusivamente associadas ao agrupamento 02- Aquisição de bens e serviços. A despesa paga
nesta fonte foi de 13.904,82 €, correspondendo a um grau de execução de 16,46%.
A fonte de financiamento FF483 apresentou dotações iniciais e corrigidas de 411.050,00 €,
distribuídas pelos agrupamentos 02- Aquisição de bens e serviços e 07- Bens de capital. A
despesa paga foi de 6.933,43 €, registada no agrupamento 07- Bens de capital, correspondendo
a um grau de execução global de 1,69%.
Nestes termos, a despesa paga em 2025 foi maioritariamente executada através da FF513, com
maior expressão nas despesas com pessoal, na aquisição de bens e serviços e nos bens de
capital. As fontes FF482 e FF483 apresentaram níveis de execução mais reduzidos face às
respetivas dotações corrigidas.
TABELA 8- SÍNTESE CONTROLO ORÇAMENTAL DA DESPESA NO ANO DE 2025

Em termos globais, a despesa apresentou dotações iniciais de 2.516.173,00 €, valor que se
manteve nas dotações corrigidas. Foram registados cativos no montante de 217.430,00 €, tendo
a despesa paga ascendido a 1.515.234,54 €. O grau de execução orçamental global situou-se em
65,92%.
O agrupamento 01- Despesa com pessoal apresentou a maior despesa paga, no montante de
806.935,74 €, face a dotações corrigidas de 1.095.741,00 €, o que corresponde a um grau de
execução de 73,64%.
O agrupamento 02- Aquisição de bens e serviços registou dotações corrigidas de 738.947,00 €,
cativos de 152.243,00 € e despesa paga de 445.890,16 €, correspondendo a um grau de
execução de 76,00%.
O agrupamento 07- Bens de capital apresentou dotações corrigidas de 598.116,00 € e despesa
paga de 244.170,53 €, com um grau de execução de 40,82%.
Nos restantes agrupamentos, a despesa paga foi menos expressiva. O agrupamento 04-
Transferências correntes registou despesa paga de 1.565,38 €, com dotações corrigidas de
11.119,00 € e cativos de 10.211,00 €. O grau de execução apresentado, 172,40%, resulta da
relação entre a despesa paga e a dotação disponível após cativos. O agrupamento 06- Outras
despesas correntes registou despesa paga de 16.672,73 €, face a dotações corrigidas de
20.000,00 € e cativos de 2.726,00 €, correspondendo a um grau de execução de 96,52%.
A rubrica Reserva, no valor de 52.250,00 €, manteve-se integralmente cativa, não apresentando
despesa paga no exercício.
Em síntese, a despesa paga em 2025 concentrou-se sobretudo nos agrupamentos 01- Despesa
com pessoal, 02- Aquisição de bens e serviços e 07- Bens de capital, que, em conjunto,
representaram a quase totalidade da despesa executada no exercício.

4.2. Evolução da Receita
A tabela seguinte demonstra a evolução da receita em 2024 e 2025.

TABELA 9- EVOLUÇÃO DA RECEITA

Comparando os valores registados em 31 de dezembro de 2024 com os valores apurados em 31
de dezembro de 2025, por grandes agrupamentos económicos da receita.

Em termos globais, a receita cobrada líquida aumentou de 1.967.574,90 €, em 2024, para
2.055.344,08 €, em 2025, o que representa um acréscimo de 87.769,18 €, correspondente a uma
variação positiva de 4,46%.
As receitas correntes registaram uma evolução positiva, passando de 1.788.567,57 €, em 2024,
para 1.860.835,65 €, em 2025. Esta variação corresponde a um aumento de 72.268,08 €,
equivalente a 4,04%.
Dentro das receitas correntes, o agrupamento 06- Transferências e subsídios correntes diminuiu
de 1.229.836,22 € para 1.135.154,61 €, traduzindo uma redução de 94.681,61 €, ou seja, -7,70%.
Em sentido contrário, o agrupamento 07- Venda de bens e serviços registou um aumento ligeiro,
passando de 454.307,56 €, em 2024, para 463.114,74 €, em 2025. Esta evolução representa um
acréscimo de 8.807,18 €, correspondente a 1,94%.
O agrupamento 08- Outras receitas correntes apresentou o crescimento mais expressivo,
aumentando de 104.423,79 €, em 2024, para 262.566,30 €, em 2025. Esta variação corresponde
a um acréscimo de 158.142,51 €, equivalente a 151,44%.
Ao nível da receita de capital, verificou-se também uma evolução positiva. A receita cobrada
líquida passou de 179.007,33 €, em 2024, para 194.508,43 €, em 2025, representando um
aumento de 15.501,10 €, ou seja, 8,66%. Este valor corresponde integralmente ao agrupamento
10- Transferências e subsídios de capital.
Assim, a receita cobrada líquida da Fundação apresentou uma evolução global positiva entre 2024
e 2025. O aumento total da receita foi explicado sobretudo pelo crescimento das outras receitas
correntes, que compensou a redução registada nas transferências e subsídios correntes. Também
contribuíram positivamente, embora com menor expressão, a venda de bens e serviços e as
transferências e subsídios de capital.

4.3. Evolução da Despesa
tabela seguinte demonstra a evolução da despesa em 2024 e 2025

TABELA 10- EVOLUÇÃO DA DESPESA

A tabela apresenta a evolução da despesa paga, comparando os valores registados em 31 de
dezembro de 2024 com os valores apurados em 31 de dezembro de 2025, por grandes
agrupamentos económicos da despesa.
Em termos globais, a despesa total paga passou de 1.518.800,03 €, em 2024, para 1.515.234,54
€, em 2025, registando uma variação pouco expressiva, de -3.565,49 €, correspondente a –
0,23%.
A despesa corrente diminuiu de 1.380.092,60 €, em 2024, para 1.271.064,01 €, em 2025,
traduzindo uma redução de 109.028,59 €, equivalente a -7,90%.
No conjunto da despesa corrente, destaca-se o aumento das despesas com pessoal, que
passaram de 676.842,59 €, em 2024, para 806.935,74 €, em 2025, representando um acréscimo
de 130.093,15 €, correspondente a 19,22%. Esta evolução deve ser lida em articulação com o
reforço dos recursos humanos ocorrido em 2025, ano em que a Fundação passou de 24
trabalhadores no início do ano para 39 trabalhadores em 31 de dezembro, na sequência da
entrada de trabalhadores em diferentes áreas funcionais.

Em sentido contrário, a aquisição de bens e serviços diminuiu de 641.857,07 €, em 2024, para
445.890,16 €, em 2025, registando uma redução de 195.966,91 €, correspondente a -30,53%.
Também as transferências correntes e as outras despesas correntes apresentaram reduções
face ao exercício anterior.
A despesa de capital aumentou de 138.707,43 €, em 2024, para 244.170,53 €, em 2025, o que
corresponde a um acréscimo de 105.463,10 €, equivalente a 76,03%. Este valor corresponde ao
agrupamento 07- Aquisição de bens de capital.
Nestes termos, a despesa total paga manteve-se praticamente estável entre 2024 e 2025. A
redução verificada na despesa corrente, sobretudo na aquisição de bens e serviços, compensou
o aumento das despesas com pessoal e da despesa de capital.

 

A execução das receitas e das despesas, correntes e capital, apresentam sinteticamente, no ano
de 2025, a seguinte estrutura:

TABELA 11- ESTRUTURA DA EXECUÇÃO ORÇAMENTAL – ANO 2025

À data de 31 de dezembro de 2025 a execução orçamental correspondia, genericamente, aos
seguintes valores:
• Em relação ao controlo orçamental da receita verifica-se que a execução global da
receita foi de 81,69%; e
• Em relação ao controlo orçamental da despesa verifica-se que a execução global da
despesa ficou aquém do orçamentado, com uma execução de 65,92%.
• Verifica-se um saldo global (receita cobrada líquida – despesa paga) de 540.109,54 € e
uma poupança corrente (receita corrente – despesa corrente) de 589.771,64 €.

Na ótica dos Fluxos de Caixa
A análise efetuada aos Fluxos de Caixa do exercício de 2025, onde se encontram discriminadas
todas as importâncias relativas aos recebimentos e pagamentos reportando-se tanto à execução
orçamental, como às operações de tesouraria, permite-nos constatar que o Saldo para a
gerência seguinte é de 2.496.217,05 €, correspondente à Execução Orçamental e Operações de
Tesouraria.

5. Indicadores Económico-Financeiros
Os Rácios oferecem informações sobre o desempenho e evolução da gestão de uma entidade.
Estes indicadores estabelecem relações entre contas e agrupamentos de contas das
demonstrações financeiras, balanço e demonstração de resultados, para quantificar factos,
detetar anomalias e fazer comparações no tempo.
De seguida encontram-se os principais indicadores económico-financeiros:

TABELA 12- INDICADORES ECONÓMICO-FINANCEIROS

A autonomia financeira situou-se em 88,12%, o que significa que uma parte muito significativa
do ativo se encontra financiada por fundos próprios. Embora este indicador tenha diminuído
face a 2024, mantém-se num nível elevado.
A solvabilidade fixou-se em 7,42, demonstrando que os fundos próprios são substancialmente
superiores ao passivo. Apesar da redução face ao exercício anterior, o rácio continua a
evidenciar uma estrutura financeira confortável.
Os indicadores de liquidez mantêm-se igualmente em níveis elevados. A liquidez geral atingiu
6,50, a liquidez reduzida situou-se em 6,40 e a liquidez imediata em 5,35. Estes valores revelam
que, no final de 2025, a Fundação dispunha de ativos correntes e disponibilidades claramente
superiores ao passivo corrente considerado no cálculo.

Por fim, a rendibilidade dos fundos próprios aumentou para 20,94%, refletindo o resultado
líquido positivo do exercício de 724.947,19 € face ao total de fundos próprios de 3.462.802,54€.
Em síntese, os indicadores de 2025 apontam para uma situação patrimonial e financeira
favorável, marcada por elevada autonomia financeira, solvabilidade positiva, liquidez e
resultado líquido positivo. A comparação com 2024 revela uma redução nos rácios de
autonomia, solvabilidade e liquidez.

 

6. Análise da Situação Económica e Financeira do ano de
2025
A apreciação feita seguidamente tem como suporte o Balanço e a Demonstração de Resultados,
documentos contabilísticos de base.
O Balanço abrange os elementos acumulados até à data, sendo um documento estático,
evidencia a posição financeira e patrimonial da Fundação a 31 de dezembro de 2025, onde
constam os seus bens, direitos e obrigações, permitindo assim uma análise precisa da
composição qualitativa do património que representa.
A Demonstração de Resultados apresenta os resultados das operações económicas (custos e
proveitos) servindo para avaliar a aplicação dos recursos utilizados em determinado período,
permitindo apurar o resultado líquido do exercício, bem como a análise da composição
financeira dos seus diferentes resultados.
As demonstrações financeiras foram efetuadas de acordo com os princípios e demais critérios
definidos no Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP), instituído pelo Decreto-Lei n.º
232/97, de 3 de setembro, Decreto-Lei n.º 477/80, de 15 de outubro e Portaria n.º 378/94 de
16 de junho.

6.1. Análise da Estrutura do Balanço
O Balanço encontra-se organizado de forma a permitir o seu equilíbrio, Ativo=Fundos Próprios
+ Passivo. Estes grandes grupos expressam a situação patrimonial da Fundação à data de 31 de
dezembro de 2025.

O Ativo da Fundação, que integra os bens, direitos, acréscimos e diferimentos, ascende em 2025
a 3.929.452,99 €, registando um aumento face a 2024, ano em que se situava em 2.971.093,47€.
Este crescimento representa uma variação positiva de cerca de 32,26%.
Os Fundos Próprios totalizam 3.462.802,54 € em 2025, refletindo o património, os resultados
transitados e o resultado líquido do exercício. Face a 2024, verifica-se um reforço de 724.947,19
€, o que evidencia uma evolução positiva da situação patrimonial.
O Passivo, correspondente às obrigações da Fundação perante terceiros, apresenta em 2025 o
montante de 466.650,45 €, superior aos 233.238,12 € registados em 2024.
Assim, numa perspetiva evolutiva, o Balanço demonstra um crescimento global entre 2024 e
2025, sustentado sobretudo pelo aumento do ativo e pelo reforço dos fundos próprios, mantendo
a Fundação uma estrutura financeira maioritariamente assente em capitais próprios.

GRÁFICO 1- COMPARAÇÃO DO BALANÇO DOS ANOS 2024 E 2025

O Gráfico 1 apresenta a comparação do Balanço entre os anos de 2024 e 2025, considerando as
principais rubricas constantes dos mapas contabilísticos: Ativo, Fundos Próprios e Passivo.
Em 2025, o Ativo apresenta o montante de 3.929.452,99 €, face a 2.971.093,47 € em 2024.
Os Fundos Próprios registam igualmente um aumento, passando de 2.737.855,35 € em 2024 para
3.462.802,54 € em 2025.
O Passivo apresenta o valor de 466.650,45 € em 2025, comparativamente com 233.238,12 € em
2024.
Assim, a leitura do gráfico permite observar um crescimento global do Balanço entre 2024 e 2025,
mantendo-se os Fundos Próprios como a componente predominante na estrutura patrimonial da
entidade.

6.2. Demonstração de Resultados
A demonstração de resultados evidencia a formação dos resultados num determinado período.
A demonstração de resultados reflete o desempenho económico obtido pela Fundação através
das operações ocorridas no exercício económico, comparando-o com o ano anterior, de forma a
possibilitar a análise da sua evolução.
A Demonstração dos Resultados evidencia que a Fundação apresentou, em 2025, um resultado
líquido positivo de 724.947,19 €, face ao resultado líquido positivo de 492.534,45 € registado em
2024.
Os proveitos e ganhos totais ascenderam a 2.194.030,49 € em 2025, comparativamente com
1.992.766,40 € no exercício anterior. Por sua vez, os custos e perdas totais totalizaram
1.469.083,30 € em 2025, valor inferior ao registado em 2024, que foi de 1.500.231,95 €.
Ao nível operacional, os resultados operacionais ascenderam a 515.586,76€ em 2025, face a
467.342,95 € em 2024. Esta evolução resulta da diferença entre os proveitos e ganhos
operacionais e os custos e perdas operacionais apurados no exercício.
Assim, a Demonstração dos Resultados reflete uma evolução positiva da atividade da Fundação
entre 2024 e 2025, traduzida no aumento do resultado líquido do exercício.

IMAGEM 3- DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Proposta de Aplicação de Resultados

 

Proposta de aplicação do Resultado Líquido do Período de 202 5
De acordo com as Demonstrações Financeiras do ano de 2025, o resultado líquido positivo do
exercício totaliza 724.947,19 €, valor que se encontra evidenciado tanto no balanço como na
demonstração de resultados.

 

O Conselho Diretivo propõe a seguinte distribuição de resultados:
• Resultados transitados……………………………………………………………….………………. 724.947,19 €