Comissária: Alexandra Silvano
Onde: Sociedade Nacional de Belas-Artes | Lisboa
Quando: 03 de fevereiro – 14 de março
A Sociedade Nacional de Belas-Artes apresenta a exposição Nadir Afonso: Território de
Absoluta Liberdade, dedicada à obra de Nadir Afonso, um dos nomes maiores da
pintura portuguesa do século XX, comissariada por Alexandra Silvano, a exposição
inaugura no dia 03 de fevereiro e estará patente ao público até 14 de março.
A mostra reúne 94 obras originais, das quais 39 são pinturas sobre tela — 7 de grandes
dimensões, realizadas nos últimos anos de vida do artista — e 55 desenhos, estudos e
guaches, atravessando os principais períodos da sua carreira. O conjunto propõe uma
leitura cronológica e sensorial do pensamento plástico de Nadir Afonso, marcada pelo
rigor formal, coerência e uma profunda reflexão estética.
Ao longo de mais de sete décadas de criação, Nadir Afonso desenvolveu uma linguagem
singular, regida pela constante procura de ordem e equilíbrio. A Cidade surge como
tema central — não como representação de um lugar real, mas como ideia – como
construção mental e universal, onde linhas, formas e cores se organizam segundo uma
lógica interna de harmonia, orientada pelas leis universais da criação que sempre
defendeu.
Território de Absoluta Liberdade integra um percurso expositivo itinerante que
atravessa quatro espaços culturais em Portugal — iniciou-se no Museu do Côa (Vila Nova
de Foz Côa), passou pelo Museu Amadeo de Souza-Cardoso (Amarante), apresenta-se
agora na Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa) e concluirá o seu itinerário na
Galeria Nova Ogiva (Óbidos). Este itinerário permite que diferentes públicos contactem
com a amplitude, a coerência e a atualidade da obra de Nadir Afonso, reconhecendo a
profundidade do seu pensamento artístico.
A mostra reflete dois grandes momentos do seu percurso criativo: um primeiro, entre as
décadas de 1930 e 1960, marcado pela experimentação e pela integração nos
movimentos de vanguarda europeus; e um segundo, a partir da década de 1970, após o
abandono definitivo da arquitetura, período em que aprofunda a sua reflexão estética
sobre a cidade e a geometria, atingindo uma plena maturidade artística.
Mais do que uma retrospetiva, esta exposição convida o visitante a entrar num território
de liberdade absoluta, onde a arte se afirma como pensamento, emoção e construção
rigorosa do visível.
SOBRE O ARTISTA:
Nadir Afonso nasceu em Chaves, em 1920. Formou-se em Arquitetura pela Escola de
Belas-Artes do Porto e, em 1946, frequentou a École des Beaux-Arts de Paris, cidade
onde viveu durante vários anos. Em Paris, trabalhou no ateliê de Le Corbusier e conviveu
com importantes figuras da vanguarda artística, como Vasarely, com quem manteve
uma relação de amizade e afinidade estética.
Embora formado em arquitetura, Nadir Afonso opta definitivamente pela pintura em
1965, mantendo, no entanto, uma forte ligação à sua formação arquitetónica, visível na
forma como privilegia as estruturas urbanas e o rigor geométrico. A partir dos anos 1950,
desenvolve uma linguagem própria, marcada pelo geometrismo, integrando o
movimento na série Espacillimité (1955) e evoluindo posteriormente para uma pintura
geométrica com referências figurativas a paisagens urbanas reais ou imaginadas.
Foi autor de importantes obras públicas, entre as quais se destacam o projeto da
Panificadora de Chaves (edifício de interesse municipal e uma das 100 obras mais
significativas da arquitetura portuguesa do século XX), os painéis para a estação dos
Restauradores do Metropolitano de Lisboa (1996), um painel de azulejos para a
Estação Ferroviária de Coina (2006), os painéis para os Paços do Concelho de Boticas
(2009) e os painéis em azulejo para o túnel de acesso à Praia de Cascais (2011).
Foi condecorado, a 10 de junho de 1984, pelo Presidente da República General Ramalho
Eanes, com a Ordem Militar de Santiago de Espada. Participou em numerosas
exposições individuais em países como França, Brasil, Itália e Portugal.
O seu legado ganhou expressão institucional com a criação, em 2005, da Fundação Nadir
Afonso, em Chaves, e com a inauguração, em 2013, do Centro de Artes Nadir Afonso,
em Boticas. A sua obra integra hoje várias coleções públicas e privadas.
Nadir Afonso faleceu a 11 de dezembro de 2013, em Cascais, aos 93 anos, deixando um
legado artístico de enorme relevância no panorama da arte moderna e contemporânea.
