No Rasto dos Caçadores PaleolíticosImprimir

VISITA ORIENTADA “NO RASTO DOS CAÇADORES PALEOLÍTICOS"

Local de partida: aldeia de Algodres, junto à igreja matriz

Horário
: 9h30

Duração da visita
: cerca de 3h

Número máximo de visitantes:
12

N
úmero mínimo de visitantes: 4

Preço
: 14 €

Devido às elevadas temperaturas atingidas no Verão, recomenda-se fortemente o uso de chapéu e protector solar, e de calçado e roupa confortável, devendo também cada visitante prevenir-se com água suficiente.

As marcações têm que ser feitas previamente, através dos seguintes contactos
:
Tel:  +351 279 768 260
Fax: +351 279 768 270
e-mail: visitas@arte-coa.pt


Descrição sucinta do percurso
:
Partida de Algodres (o encontro é junto ao portal da Igreja Matriz).
Percurso em viatura todo-o-terreno até ao local da Juncaria, local onde se visiona o fundo do vale e o sítio da Cardina, ocupado durante o Paleolítico Superior e onde decorreram escavações arqueológicas. Explicação do sítio e da envolvente com recurso a maleta pedagógica contendo réplicas de materiais exumados.
Percurso em viatura todo-o-terreno até ao curso de água da Ribeirinha e, desde este ponto, percurso a pé (700 metros), em caminho rural que bordeja a margem esquerda da Ribeirinha, até à Olga Grande 4, sítio ocupado durante o Paleolítico Superior, onde decorreram escavações arqueológicas.
Caracterização arqueológica da Olga Grande com recurso à Oficina de Arqueologia Experimental (talhe; manipulação de instrumentos em pedra e osso; fogo; aquecimento de água; cola; caça).
Regresso a pé até à viatura; regresso a Algodres


i
nformação geral

Os estudos realizados ao longo da última década no Vale do Côa apontam para a existência no Paleolítico Superior de grupos humanos vivendo no troço final do vale, que se deslocariam sazonalmente, instalando-se em acampamentos ora no fundo do vale, ora nas áreas planálticas para onde partiam em busca de caça. É esta ocupação do território que o percurso No Rasto dos Caçadores Paleolíticos
e a Oficina de Arqueologia Experimental, com que a visita termina, pretendem ilustrar.

Durante uma fase climática nitidamente mais fria do que a actual, os planaltos sobranceiros ao vale do Côa foram o local eleito para a caça de grandes herbívoros que viriam em busca da água resultante do degelo primaveril e do derreter da neve que se acumulava nestas paisagens durante os meses de Inverno. Os vestígios arqueológicos encontrados nos antigos acampamentos das áreas elevadas dos planaltos revelam um tipo de ocupação especializado na caça e, em alguns casos, na recolha de matérias-primas líticas.

Por outro lado, os sítios escavados pelos arqueólogos no fundo do vale do rio Côa revelam uma panóplia mais diversificada de utensílios e outros vestígios, que também incluem a caça e recolha de matérias-primas, mas onde a existência de vestígios de cabanas recorrentemente reutilizadas em passagens sucessivas, as fogueiras, a densidade e a utilização dos vestígios de pedra lascada, indicam estadias mais longas nos fundos mais abrigados do vale do que nos sítios especializados na caça dos planaltos.

A visita procura mostrar no terreno esta dualidade na ocupação sazonal do território do Côa, explorando e explicando também sucintamente as investigações realizadas e as conclusões obtidas: quais os métodos de datação utilizados, quais foram os recursos (animais, vegetais e minerais) preferencialmente explorados, como eram as condições climáticas então prevalentes e como se alteraram...

Com partida do centro da aldeia de Algodres, o percurso segue até ao rebordo do planalto sobre o Vale do Côa, num ponto onde se avista e explica o sítio da Cardina. Este sítio arqueológico localiza-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 3 km a montante dos núcleos de gravuras rupestres paleolíticas de Penascosa e Quinta da Barca. Neste ponto do seu curso para norte, o Côa faz uma curva apertada, determinada pelas dificuldades de ultrapassagem de um importante acidente geológico: um filão constituído por rochas duras de riolite, que foram também exploradas como matéria-prima pelos homens do Paleolítico. O ponto de atravessamento corresponde à zona do vale onde a distância entre as duas margens é mais pequena - apenas 10 m - e está na origem do nome por que o local também é conhecido: Salto do Boi.

A visita segue depois ao longo do planalto granítico. Este, entre 500 e 600 metros de altitude, que se interpõe entre o vale do Côa e o vale da Ribeira de Aguiar, dá origem a um curso de água, a Ribeirinha, que vai desaguar junto das gravuras da Penascosa. Ao longo da Ribeirinha registam-se muitas concentrações de vestígios líticos em ambas as margens, algumas das quais têm vindo a ser escavadas.

No sítio de Olga Grande 4, localizado em torno dum relevo granítico bem marcado na paisagem da margem direita da Ribeirinha, os instrumentos de pedra lascada, as lareiras e as datas absolutas atestam uma frequentação deste espaço durante várias fases do Paleolítico superior e em períodos mais recentes. A descoberta de três picos em quartzito, (afeiçoados com uma extremidade triangular, bastante desgastada) no nível mais antigo permitiu estabelecer uma relação destas peças com os impactos conservados nos painéis de xisto gravados no fundo do vale do Côa. Porém, devido à ausência de gravuras conservadas no planalto granítico, ainda não foi possível explicar o abandono destes utensílios, que teriam provavelmente sido utilizados para gravar perto do rio.

Aqui neste sítio é realizada uma Oficina de Arqueologia Experimental, com a qual se termina o percurso.

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