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O COMPORTAMENTO SIMBÓLICO E A ARTE


O comportamento simbólico relaciona-se com a capacidade dos seres humanos e das suas sociedades produzirem, usarem e reconhecerem conjuntos de símbolos, que funcionam como uma forma de comunicação entre os indivíduos, pois possuem significados socialmente partilhados.

Porque o Homem atribui um sentido a todos os seus actos, a sua valorização só é susceptível de ser abordada e, porventura, apreendida em Pré-história, quando esse significado se associa ou acrescenta a um objecto útil (objectos decorados – arte móvel), ou quando ele se exprime através da criação de obras de arte independentes de qualquer finalidade material (arte parietal ou rupestre, por exemplo).

A arte é, por isso, uma das principais manifestações do pensamento simbólico do género humano, podendo ser entendida como um conjunto estruturado de símbolos com um significado, funcionando como uma linguagem.

As mensagens simbólicas que lhe estão associadas, são criadas e usadas para permitir a compreensão do meio ambiente, mas também a realidade social e económica das comunidades humanas, permitindo a interacção entre os seus elementos.

Alguns investigadores consideram que as primeiras evidências da existência de preocupações estéticas surgem nas comunidades do Paleolítico Inferior. De facto, o testemunho da recolha de objectos naturais, da utilização de substâncias corantes, a execução de utensílios em matérias-primas raras ou de peças sem funcionalidade evidente e mesmo a simetria de alguns artefactos podem ser interpretados como manifestações da presença de um comportamento simbólico e de uma pretérita sensibilidade estética, que antecederam o aparecimento da arte propriamente dita.

Com base nos conhecimentos actualmente disponíveis, algumas pedras gravadas e coloridas com motivos geométricos complexos, associadas a objectos de adorno feitos com conchas, descobertos no sítio de Blombos, na África do Sul, com uma cronologia aproximada de cerca de 75 000 anos antes do presente, parecem representar uma das mais antigas formas de expressão artística actualmente conhecidas.

No entanto, a arte surge de forma definitiva no Paleolítico Superior, sendo considerada uma expressão característica do comportamento simbólico do Homem anatomicamente moderno (Homo sapiens). Com efeito, a arte deste período remete-nos, pela primeira vez, para um imaginário colectivo, para um pensamento mágico, para preocupações metafísicas e para noções estéticas inequivocamente modernas. Os seus autores eram homens dotados de capacidades cognitivas idênticas às nossas.

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