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LinguagemImprimirDicionário critico

Sinal

José Augusto Mourão

Define-se normalmente o sinal como um instrumento para a comunicação de mensagens. Ou então como um índex intencional. Os sinais de trânsito são sinais neste sentido. Os sinais são a fundação da semiótica da comunicação.

Palavras chave: sintoma, índice, signo

No projecto de Jakobson e de muitos outros (Sebeok, 1974, p. 212; Prieto, 1975, p. 125-141, etc.) a semiótica é perspectivada total ou parcialmente “dentro da ciência global da comunicação” (Jakobson, 1974, p. 36), mas a “comunicação” é ainda um elemento principal não definido[1].
Eric Buyssens é um dos linguistas pós-saussurianos que concebe a semiologia como estudo de todos os sistemas de comunicação. A semiologia, nesta perspectiva, estuda os procedimentos de comunicação reconhecidos como tais, enquanto meios para influenciar outrem
[2].

A análise daquilo a que chama semias (termo que compreende um sistema de semas organizados segundo relações de oposição) e acto sémico (a comunicação realiza-se através de um acto sémico), constitui um dos principais contributos para a semiologia linguística dos últimos anos. Luis J. Prieto parte dos estudos de Buyssens e interessa-se sobretudo pelo problema da comunicação, de transmissão de uma mensagem ou acto sémico
[3].

Para este autor, o sinal entra na categoria mais geral dos
índices: a sua especificidade vem-lhe de ser produzido para servir de índice. Os sinais da estrada ou da navegação são os exemplos mais citados. O sinal é um instrumento destinado a transmitir mensagens entre um emissor e um receptor. Para que exista esta transmissão da mensagem é necessário e suficiente que: 1) o receptor perceba o propósito que tem o emissor de lhe transmitir uma mensagem; 2) o receptor identifique essa mensagem. Estas são, pois, as duas funções que o sinal tem de realizar
[4]. O sinal é definido como um instrumento para a comunicação de mensagens. Aliás, Bloomfield define a linguagem como um sistema de sinais (1933, p. 162).

Sinal
, índice e sintoma são três termos que são frequentemente tomados como representando uma categoria de signos, quando opostas ao símbolo ou ao signo. Há quem defina estes termos como sinónimos. Na tipologia dos signos, quando um signo é tomado mecânica ou convencionalmente e desencadeia alguma reacção por parte do receptor, diz-se que funciona como um sinal. Noth reúne quatro grupos de critérios que definem o sinal como um significante, um estímulo semiótico, um tipo de índex ou um determinado tipo de
signo elementar. De acordo com Resnikow, o sinal é (1) um signo artificialmente criado com um sentido convencional (2) que pretende induzir um determinado comportamento ou modificação do comportamento; (3) são criados para acontecimentos futuros; (4) são normalmente simples na sua estrutura, mas facilmente relembrados[5].

O
código da estrada é feito para ser visto. Sobre um mesmo sinal podemos opor vários signos simultâneos: uma /forma/ circular corresponderá a uma “obrigação”, a /moldura vermelha deve especificar que esta obrigação é /negativa/ (que se trata de uma “proibição”), o /desenho preto” no interior designará a classe dos “destinatários da proibição”. Para compreender o sinal é necessário perceber simultaneamente estas três informações.

De sym e ptôme, o sintoma remete, antes de mais para o campo da medicina. Para Hipócrates os sintomas eram simples fenómenos significantes, vistos como signos naturais (Heidel, 1941, p. 62). Em A Ciência da Medicina, Hipócrates afirma: “Aquilo que escapa á nossa visão devemos visualizá-lo com a mente e o médico que não seja capaz de ver a natureza da doença, nem possa receber informação sobre ela, deve recorrer a especular a partir dos sintomas que se lhe apresentam”. Se Hipócrates estudou a doença como um naturalista, Galeno “atreveu-se a modificar a natureza como científico” (Majno, 1975, p. 396), considerando o “antinatural” que ocorre no corpo como sintoma e a suma de sintomas como síndroma.

Um síndroma é uma configuração de signos regida por normas com designação estável. Estes dois termos têm fortes conotações médicas. Uma dor consta de um sintoma que exprime uma mensagem que obriga o sistema nervoso central a influir na conduta interior e a pública de maneira que esta procure signos de dor através da filogenia, a ontogenia, hic et ubique.

Para Peirce, um sintoma nunca se distinguia da ideia de signo – algo que representa algo para alguém – sendo tido como uma subespécie deste, um índice. “O sintoma é um legisigno, um tipo geral de um carácter definido. A sua ocorrência num caso particular é um sinsigno” (§ 8.335). Os signos da doença não “falam”, como acontecem com os signos do tempo atmosférico. Temos um índice, dizia Peirce em 1885, quando há “uma relação dual do signo com o seu objecto, independentemente da mente que está a utilizar o signo.

Todos os signos naturais e os sintomas físicos participam desta natureza” (3, p. 361). Os sintomas, segundo Peirce são índices inconscientes, interpretáveis pelos seus receptores, sem o realismo de um transmissor intencional. A pegada de Robinson Crusué encontrada na areia era um índice “de que havia alguma criatura na sua ilha”. A classe dos signa naturalia de S. Agostinho, definida em contraste com os signa data (De Doctrina Christiana, 2.1.2) para lá do seu sentido ortodoxo (uma erupção cutânea como sintoma de maldade), vem ilustrada pelas pegadas deixadas por um animal, sendo vistas como um presságio ou uma evidência. Quer dizer, os sintomas funcionam como rastos – pegadas, excrementos, barulho de ramos, restos de comida, etc. – no mundo animal, operando como metonímias (Sebeok, 1976, p. 133). Em resumo, um
sintoma é um signo compulsivo, automático, não arbitrário. O real aparente, dizia Barthes[6].

Na teoria da informação entende-se por sinal qualquer unidade que, obedecendo às regras de um código, entra na composição das mensagens. L. Hjelsmlev chama sinais às unidades de manifestação mínimas das semióticas monoplanas (científicas – álgebra – ou não: jogos). A teoria da informação define o sinal como um termo técnico para o signo veículo ou significante. Na definição de Cherry, o sinal é “a encarnação física de uma mensagem (uma elocução, uma transmissão, uma exibição de acontecimentos de signos” (1957, p. 308. Nesta definição, o sinal não é um tipo de signo mas apenas uma ocorrência de um signo tipo. Já Morris definia o sinal como sendo semioticamente mais primitivo do que o símbolo. Na definição de Sebeok, o sinal é um signo que mecânica (naturalmente9 ou convencionalmente (artificialmente) provoca alguma reacção num receptor. O receptor aqui pode ser uma máquina ou um organismo, e inclusivamente um ser sobrenatural personificado (Sebeok, 1972b, p. 514).

A actividade dos sinais é produzida por um organismo individual; representa informação; é mediada por um portador físico e é percebida e respondida por um ou mais indivíduos. Um exemplo de sinal é a descarga de uma pistola ao descobrir uma pegada (um disparador convencional vs um gatilho mecânico). Benveniste define o sinal como um estimulo semiótico primitivo, isto é como “um facto físico ligado a outro facto físico por uma relação natural ou convencional”
[7].O carácter antropossemiótico do símbolo distingue-o do sinal.


 

[1] A situação não é mais confortável no que toca a definição da Pragmática. Sebeok recorda a dificuldade de chegar a um acordo sobre a natureza “desse animal, real ou mítico” que tiveram os participantes no International Symposium on Pragmatics of Natural Languages (Jerusalém, junho 1970). Cf. “Le Tissu Sémiotique” in A. Helbo (dir) Le champ sémiologique, Bruxelles, Complexe, 1979, B 13.

[2] Buyssens, Eric , La communication et l´articulation linguistique, Paris, PUF, 1967, p. 11.
[3] Prieto,Luis J., Principes de noologie. Fondements de la théorie fonctionnelle du signifié, La Haya, Mouton, 1964, e especialmente Messages et signaux, Paris, PUF, 1966. Ver Marc Angenot, Ver a crítica que faz da semiologia de Luis Prieto, Marc Angenot, Critique of Semiotic Reason, Toronto, Legas, 1994, p. 60.
[4] Messages et signaux, pp. 9-10.
[5] Resnikow, Lasar Ossipowitsch, (1964) 1969, citado por W. Nöth, in Handbook of Semiotics, Indiana University Press, 1995, p. 112.
[6] Barthes, R., “Sémiologie et médicine” in R. Bastide ( ed.) Les Sciences de la folie. Paris, Mouton, 1972, p. 38.
[7]Benveniste, E. , Problems in General Linguistics, Coral Gables, University of Miami Press (1966) 1971, p. 24.

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