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ImagemImprimirDicionário critico

Código visual

Isabel Calado

Como noutros sistemas de representação, o sentido incorporado nas imagens resulta de um processo de codificação. Neste caso, trata-se de sujeitar as regras da percepção natural a esquemas de transformação, que podem ir desde a equivalência (identidade) à total abstracção.

Palavras chave: signo; construção social da imagem; ícone; visualidade

Apesar de conseguirmos decifrar de imediato certas imagens (ou certos níveis delas), de um modo aparentemente espontâneo, é um logro pensar que a linguagem visual é universal e que não precisa de ser aprendida. Mesmo a um nível muito básico de leitura dos textos visuais, o domínio dos códigos pseudo-naturais resulta de um processo sócio-ontogenético de desenvolvimento que requer condições para desenvolver-se. Acima deste nível, e em todos os outros estratos de significação que nas imagens se encaixam, é pertinente falar-se em alfabetização.

Os códigos intervenientes na linguagem visual são menos prescritivos que os intervenientes na linguagem verbal, pelo que o leque de possibilidades sintácticas é, naquele caso, maior, ou seja, a escrita visual possui um número quase ilimitado de hipóteses compositivas para expressar o mesmo conteúdo. Estamos perante um sistema dotado de uma grande flexibilidade e, por isso também, com um potencial polissémico considerável.

O traço mais relevante da codificação visual prende-se com a dimensão espacial das imagens: estas são percepcionadas como um todo (e não como uma cadeia de sucessões) e diferenciam-se de outros sistemas, nomeadamente do verbal, por estabelecerem um conjunto de relações espaciais e combinadas, num sistema a duas dimensões.

De entre as inúmeras formas que as imagens podem tomar, os
ícones destacam-se como signos analógicos e motivados, contrastando com aqueloutros marcados pela arbitrariedade. Mas os signos da imagem nem sempre são icónicos, pelo que as convenções e a descontinuidade também nela se afirmam: um after-shave pode significar desportivismo, uma lâmina de barbear sexualidade, o espaço sideral precisão e rigor. Muito para além de uma mera análise denotativa, as imagens suscitam a interpretação dos elementos que as integram e tornam-se capazes de exprimir alegria, tristeza, serenidade, sedução, medo, desejo, frio, angústia ou prazer.

Há muito que os processos de codificação visual vêm sendo estudados: através da trucagem, inserem-se numa fotografia elementos que não estavam presentes no momento do registo; a captação de um gesto ou a encenação de uma pose codificam também ao nível da conotação; em publicidade, os objectos escolhidos para figurar numa cena visual fornecem um contexto àquilo que se anuncia, sendo normalmente associados aos sujeitos presentes na imagem e estabelecendo com eles uma relação emocional; todos os aspectos de carácter gráfico e técnico (composição, enquadramento, iluminação, cores utilizadas, focagem, angulação, efeitos de objectiva, etc.) são recursos privilegiados de codificação; se estamos perante uma sequência de imagens, uma narração visual, é o modo como se articulam nessa sequência, que condiciona a sua interpretação; em função do tratamento que lhe é dado, a imagem pode ainda vincular-se a uma categoria (documento, testemunho, manifestação artística), adquirir um estatuto, que igualmente interfere no sentido que lhe outorgamos, ou porque o restringe, ou porque o redimensiona, ao mesmo tempo que lhe confere um determinado valor.

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