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VALE DO GUADIANA


Apenas duas gravuras paleolíticas foram identificadas, até ao momento, nas margens portuguesas do rio Guadiana, encontrando-se ambas actualmente submersas pelas águas do regolfo da barragem do Alqueva. São mais numerosas na margem esquerda, já em terrenos pertencentes a Espanha.

As duas figuras foram executadas em bancadas de xisto situadas na margem direita do rio, uma no lugar da Moinhola, outra em Porto Portel. A primeira, inscrita numa superfície rochosa sub-vertical no leito de cheia do Guadiana, caracteriza-se pela presença de uma representação incisa incompleta de um equídeo, constituída pela cabeça e parte dos quartos dianteiros do animal, envolvida por vários feixes de linhas igualmente incisos.

A gravura descoberta em Porto Portel corresponde também a uma figura zoomórfica incompleta, desta feita de um veado. A figura, realizada novamente por incisão num pequeno painel vertical situado a meia encosta, contempla a cabeça, o pescoço e a parte dianteira do dorso do animal, definido pelo arranque da linha cérvico-dorsal.

Os paralelismos técnicos e estilísticos estabelecidos com a iconografia do vale do Côa, sustentam a hipótese de uma cronologia correspondente às etapas finais do período Magdalenense para este conjunto de representações.


Para saber mais:
BAPTISTA, António Martinho (2009) – O Paradigma Perdido. O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal, Porto, Edições Afrontamento, 254 p.

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