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FRAGA DO GATO


Conhecido desde os anos oitenta do século passado, o abrigo-sob-rocha, conhecido pelo nome de Fraga do Gato, localiza-se nas proximidades da margem esquerda do rio Douro, na freguesia de Poiares, concelho de Freixo de Espada à Cinta.

Apesar da sua pretérita descoberta, só recentemente este local foi objecto de um estudo detalhado, que possibilitou um conhecimento do seu verdadeiro potencial científico.
As representações, em número de duas, encontram-se estabelecidas numa superfície vertical de xisto, rematada por uma pala alteada. Na zona mais protegida do painel é possível observar a presença de duas figuras zoomórficas. A sua originalidade e significado advêm, quer da técnica utilizada para a sua representação, quer da temática específica que as mesmas traduzem.

Relativamente à técnica, há que salientar que as duas figuras foram pintadas, uma a negro, a outra a vermelho. A utilização de pigmentos corantes no quadro da arte paleolítica de ar livre já havia sido antes verificada, nomeadamente na jazida da Faia, no vale do Côa, ainda que em associação com a técnica da gravura, pelo que as representações da Fraga do Gato são as primeiras e as únicas pinturas paleolíticas de ar livre presentemente conhecidas no nosso país.

Por outro lado, a temática das representações é original, já que correspondem a duas espécies animais, um bufo (a figura a negro) e uma provável lontra (a figura a vermelho), extremamente raras no contexto do bestiário presente na arte paleolítica.
Ainda que a sua estilística aproxime, claramente, estas duas figurações dos cânones estéticos da arte paleolítica, a sua originalidade e raridade dificultam, contudo, presentemente, a apresentação de qualquer proposta cronológica mais precisa.


Para saber mais:
BAPTISTA, António Martinho (2009) – O Paradigma Perdido. O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal, Porto, Edições Afrontamento, 254 p.

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