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"Pensar o Côa: invenção de uma escrita, escultura e ações efémeras", por Nuno Vicente

Está patente desde 21 de Novembro no Museu do Côa uma exposição de Nuno Vicente com curadoria de Patrícia Rosas Prior, "Pensar o Côa: invenção de uma escrita, escultura e ações efémeras", que ficará em exibição até 31 de Janeiro de 2016.

Exposição individual de Nuno Vicente
com obras inéditas produzidas especialmente para o Museu do Côa. É a primeira vez que o museu recebe, nas suas três salas de exposições temporárias, obras realizadas por um artista contemporâneo especificamente sobre o Vale do Côa.

Todos os trabalhos expostos - pensados para esta mostra - apresentam entre
fotografia, som e instalação, matérias naturais, do reino vegetal, reflectindo o contacto das experiências do artista com o Vale do Côa.

Partindo de um projeto que se vê a priori como local, ou seja, inserido particularmente no contexto do Vale do Côa, é contudo numa problemática global que se pretende navegar. A constituição da espécie humana, bem como as reflexões em torno do seu destino, são questões que assolam o presente e que Nuno Vicente aborda nos seus trabalhos e pensamentos. A ideia de deslocamento, que já vem de uma linha trabalhada pelos artistas da Land Art, que teve o seu apogeu na década de 1960 e que Nuno Vicente homenageia, marca uma época
em que plantas e animais e um interesse próximo com a ecologia se intensificaram na prática artística. A relação do trabalho de Nuno Vicente com a Natureza e a Paisagem permitiu assim delinear esta exposição no Museu do Côa, numa espécie de regresso a um passado longínquo que esta região do país permite pela sua riqueza e pela abundante e rica dimensão pré-histórica.

A terra, o que permaneceu escondido no Vale, o esquecimento dos objetos que pertenceram a um tempo antigo e que ficaram latentes na terra, trespassando um tempo para integrar um outro são vistos pelo artista como um depósito de várias épocas e sedimentos, quer de homens, de culturas, animais ou mesmo de plantas que já não existem.

Mas também o rio Côa é uma verdadeira matéria presente na exposição, pela sua dinâmica, fluxo,
matéria em movimento. Aliás, a origem etimológica do Côa remete para a palavra latina cuda que significa "ribeira" - pequeno leito de água de reconhecida importância.

A arte das gravuras rupestres surge no trabalho do artista como deleite e contemplação, mas sobretudo como modo de inspiração. É neste sentido que também nasce o gosto pela recolha, no seguimento da ideia de que a construção cultural
advém de objetos e textos guardados pela terra através do tempo.

De facto, a obra de Nuno Vicente envolve-se de modo muito particular e fascinante com a
Natureza (physis, natura), não apenas de uma forma única e global, mas reflete-se numa instância maior, de cultura, género, classe, evolução biológica, numa complexa rede de relações físicas e sociais. A multiplicidade de ligações entre o tempo, o espaço e o meio, em contínuos processos de devir permite esta alteração na natureza. Neste sentido, a perpetuação do passado ou de uma memória preservada na natureza é o tema primordial desta exposição.

Patrícia Rosas Prior


Nuno Vicente
nasceu em 1981 em Chartres, França. Vive e trabalha em Berlim. Estudou Pintura e Artes Visuais em Portugal, e tem exposto individual e coletivamente um pouco por toda a Europa (Museu de História Natural, Lisboa, 2007; Galeria Paulo Amaro, Lisboa, 2007 e 2008; Rosalux Gallery, Berlim, 2010; Pavilhão Preto, Museu da Cidade, Lisboa, 2010; Lazzaretto di Cagliari Centro Culturale di Arte, Cagliari, 2012; Centre d´art La Maison Laurtentine, Haute-Marne, França, 2012; SAAVY contemporary, Berlim 2013; Bienal de Artes Visuais, Varna, Bulgária, 2014).
Em 2015 foi finalista do Prémio Novos Artistas Fundação EDP, participando na exposição coletiva do Prémio. 

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